Parabéns São Paulo FC. Esopo não se inspirou em você.
Há uma belíssima fábula atribuida a Esopo chamada “A Gansa dos Ovos de Ouro”, popularizada no Brasil — vai entender — como “A Galinha dos Ovos de Ouro”. Essa fábula é incrivelmente aplicável ao mundo dos negócios em geral e ao Corinthians e ao São Paulo em particular…
Um fazendeiro encontrou um ovo dourado e brilhante junto à sua gansa. Estava apavorado! Nunca vira aquilo. Era absolutamente extraordinário! Não somente descobriu que era um ovo totalmente sólido e de ouro puro, mas — imagine! — daquele dia em diante, a gansa se pôs a botar um ovo de ouro todos os dias pela manhã! (Esopo, considerado por muitos o precursor das fábulas como gênero literário, teria vivido na Grécia Antiga entre 620 e 560 A.C. Sua fábula, porém, tem uma atualidade dramática e com implicações pessoais e profissionais profundas…) Assim, a cada manhã o fazendeiro encontrava no ninho mais um ovo de ouro que, rapidamente, o tornou um homem muito rico! Mas, à medida que ele enriquecia, também se tornava mais ambicioso e impaciente com “apenas um ovo de ouro por dia”, e foi então que, tentando apoderar-se de todo o ouro de uma só vez, matou a gansa para abrí-la — e nada encontrar dentro dela!
Exatamente como o fazendeiro da fábula de Esopo, também nós — e certamente o Corinthians — buscamos com frequência a produção (os ovos de ouro) ao custo do que nos torna capazes de os produzir (a gansa). A ambição por arrancar da gansa todos os ovos que ela pode dar, normalmente leva as pessoas a ignorar a necessidade de empenhar parte do ouro na manutenção da saúde da própria gansa. Esse fenômeno foi sinteticamente definido por Stephen R. Covey como o equilíbrio entre produção e capacidade de produção e, fundamentalmente, evidencia a razoabilidade de investir parte do ouro na qualidade de vida da própria gansa, otimizando sua performance e a qualidade de seus ovos de modo sustentável.
Quantos de nós conhece bem Organizações notáveis pela originalidade de seus produtos, pelo enorme potencial de suas marcas e pela força estupenda de arrastar mercados e, infelizmente, são consumidas pela ambição de seus gestores! O mais expressivo e próximo de todos os casos que me ocorre à memória é justamente o do Corinthians. Todos sabemos bem que as mais valiosas marcas de futebol são disputadas palmo a palmo por inúmeras forças e poderes. Em alguns casos, a relação de forças se equilíbra e, como em praticamente todos os negócios, um pacto inteligente permite a exploração combinada entre os abutres da marca de modo cada vez mais lucrativo e, porém, sustentável — como o caso do São Paulo, por exemplo. Em outros casos, a galinha é depenada, devassada e corrompida de forma tão agressiva que, com sorte, se chegar a ser uma Fênix entre as marcas, os chupins vão esperar apenas o suficiente e necessário para, quando a gansa voltar a botar ovos, devorá-la mais uma outra vez…
Pobre Corinthians…
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